Estávamos já no fim da aula de Educação Física, quando ouço uma voz vinda dos confins do Universo: "Quem mais se quer inscrever no Peddy-paper?". Era o stôr. O meu primeiro pensamento foi: "Peddy-paper? Hehe... Quem será o tone que se quer inscrever nisto?". Ninguém se oferecia, mas o nosso professor era um dos organizadores, e não saiu dali enquanto não arranjou quatro pobres coitados para formar uma equipa. Um deles era, claro, eu! Era então a altura de escolher um nome. Como nem sequer nos passava pela cabeça levar isto a sério, acordamos que o nome seria "Os Totil Flamejantes", mais estúpido não há!...
Os dias passaram, e, no último dia de aulas, bem à tardinha, lá estávamos nós, prontos para ficar em últimos e gozar com a situação. Tendo em conta os nossos objectivos, estávamos a ser bem sucedidos: em primeiro lugar, quando já a maior parte estava na sala, como tinha sido combinado, nós ainda estávamos no recreio a jogar com uma bola de ténis, e ainda nos faltava um elemento, que estava atrasado, pelo que chegamos um pouco atrasados à sala, mas não em último (há sempre alguém que chega depois); para além disto, éramos a única equipa que não estava devidamente equipada "Se tivermos de nos equipar, já temos uma desculpa p'ra faltar", este era o nosso pensamento.
Começou então a explicação de cada uma das etapas do "Carolina Sem Fronteiras", sim, era esse o nome da competição; parabéns à turma que organizou este evento e que teve a ideia deste nome tão engraçado.
Quando o nosso stôr deu o sinal de partida, todos saíram a correr da sala, todos excepto nós, hehe... Ainda ficámos lá um bocado, para gozar um pouco, enquanto um professor nos filmava com a sua câmara toda catita.
Decidimos que iríamos fazer isto com toda a tranquilidade, um pouco à imagem do nosso amigo Paulo Bento, que, para além de ser sportinguista, é um bocado lento, coitadito...
Tivemos de realizar actividades relacionadas com Educação Física (sem ordem pré-definida) e responder a algumas perguntas. Para encontrar as actividades, que estavam espalhadas por toda a escola, cada equipa foi munida de um mapa.
A primeira actividade que realizámos foi a "Sobre Rodas". Eu devia ter desconfiado que a razão pela qual o nome não falava de patins era porque, simplesmente, aquilo não eram patins, mas pretendiam ser. Apesar disso, consegui não cair, mas não evitei fazer figura de parvo ao andar naquilo.
De seguida, fomos para uma etapa cujo objectivo era transportar bolas de ténis numa colher-de-pau, segurando-a com a boca, enquanto se percorria um circuito com obstáculos, e, no fim, pegar na bola e deitar algumas latas abaixo. Até foi giro, mas nenhum de nós conseguiu deitar uma lata abaixo.
Depois, tinhamos que acertar com uma bola de futebol e outra de andebol nuns buracos que haviam na baliza. Apenas um dos nossos elementos conseguiu tal proeza.
Depois disto, decidimos ir para a "Actividade Surpresa". O objectivo era cantar, num daqueles programas de karaoke para a PlayStation, mas mais tarde viria a descobrir que a surpresa era o facto de apenas um microfone funcionar. Isto revelou-se deveras engraçado, porque quatro pessoas a cantar num só microfone não é para qualquer um!
Posteriormente, fomos para a actividade que não me lembro o nome, mas que consistia numa corrida de carrinhos de compras: um a guiar e outro lá sentado. Tirando o pormenor que quase morria devido à má condução da minha colega, foi fixe até!
Na próxima etapa, fomos uns verdadeiros guerreiros lusitanos! Batemos um recorde! Era assim: haviam duas pranchas de madeira com sítios para pôr os pés, uma espécie de esquis para quatro, e tínhamos de dar uma voltinha com aquilo no menor tempo possível. Através da nossa coordenação e coragem, conseguimos uns fantásticos 34 segundos! Gostei!
Nós estávamos a gozar com a situação, mas, de facto, estava a ser divertido, apesar de os membros da turma organizadora que estavam em cada etapa se começarem a rir quando dizíamos que éramos os "Totil Flamejantes"... Já só faltavam duas etapas!
Fomos então para a escalada, "Sobe e Toca" era o nome. Isto porque o objectivo era subir e tocar num sininho que estava lá em cima. Apenas dois elementos podiam participar. Eu? Decidi prestar apoio moral.
Na última prova que realizámos, tínhamos que andar de andas, enfim, nada de especial...
Enquanto não estávamos a realizar nenhuma prova, íamos respondendo às questões. Era giro ver que, ao passo que nós andávamos nas calmas, os outros grupos andavam a correr, parecia mesmo que levavam aquilo a sério!
A hora marcada para a chegada à sala era às 16:30. Nós chegámos antes. Entregamos a nossa folha e esperamos cerca de 15 min. pela contagem dos pontos.
Entrámos todos na sala e sentámo-nos. O stôr ia chamando as equipas pela ordem decrescente da classificação. As nossas espectativas eram baixas, e começámos a ficar surpreendidos quando o nosso nome demorava a aparecer.
Bom, depois de muitas vezes dizermos "Eu não acredito...", sim, ficámos em primeiro lugar! Não dava mesmo para acreditar que nós, os Totil Flamejantes, que entrámos só para o gozo, tínhamos ganho!
Todos os participantes receberam uma mochila da Lipor. Os que ficaram em segundo lugar ganharam uma t-shirt, e os grandes vencedores uma Diciopédia X.
Mais importante que todos os prémios é, e para além do orgulho que foi, a lição que se tira desta história: quatro guerreiros que se glorificaram não pela força ou sangue, mas através da tranquilidade, inteligência e consciência de que não se deve levar as coisas demasiado a sério.
PM



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