René Descartes era um senhor que gostava muito de Matemática, até fez umas descobertazinhas, pelo que consta.
Certo dia, enquanto olhava para uns livros de Filosofia, e constatava que aquilo pouco tinha a ver com a Matemática, objectiva e universal, de que ele tanto gostava, ele disse para um velho que estava a seu lado: " Porque é que a Filosofia, e as questões que ela coloca, são tão subjectivas? Já sei! Vou aplicar a Matemática à Filosofia, de modo a obter respostas universais e claras às questões postas através dos séculos!". E, ignorando o facto de o velho ter ficado paralisado, e ter mesmo caído para o lado quando ele disse qualquer coisa como "deitar a casa abaixo", René meteu mãos à obra.
Começou então a duvidar de tudo, e ditou quatro regras:
- Regra da análise: separar tudo (até o velho da sua bengala [já não precisava dela, estava a salivar estendido no chão!] );
- Regra da síntese: voltar a reunir ("ok, velhinho, pega lá, não é que te valha de muito, não é?...")
- Regra da enumeração: fazer listas (mais ou menos como quando se vai às compras)
- Regra da evidência racional: nunca tomar como certo nada que não seja claro e distinto.
Mas como iria Descartes viver, pondo em causa tudo o que o rodeava e tudo o que lhe tinham ensinado?
Apesar de todas as suas duvidas, ele decidiu instaurar uma moral provisória, que era a forma como ele viveria até descobrir o que era mesmo real.
Descartes questionou-se sobretudo acerca da experiência/sentidos (será que o cheiro a urina que ele sentia não significava que o velho era incontinente?); dúvida da razão (será que os raciocínios eram mesmo de fiar?); dúvida do sono e vigília (o que é mais real? O que eu vivo durante o sono, ou o que vivo quando estou acordado? "Boa pergunta" - disse o velho, que já começava a gostar da ideia de poder andar normalmente, sem se urinar, como os seus sonhos o diziam).
No meio disto tudo, René conseguiu chegar a uma primeira certeza: "Cogito Ergo Sum" - disse ele, de uma maneira um pouco atrapalhada (razão pela qual o velho se começou a rir, desdentado e ignorante, urinando-se mais uma vez). Mas não, ele não tinha endoidecido, aquelas palavras significam "penso logo existo". Esta verdade é clara e inabalável, portanto servia a Descartes.
A partir daí, René utiliza esse critério de verdade, e chega à conclusão que existem três tipos de ideias: ideias inatas [advém da razão]; ideias adventícias (bonito nome) [da experiência]; ideias factícias [imaginação].
E, depois, tragédia (!), Descartes prova a existência de Deus através da razão, e não a partir de livros nada engraçados! E prova-o da seguinte maneira:
- Argumento ontológico- a perfeição implica a existência (mas perfeita, perfeita, só a SuperBock sem álcool... é que é perfeita!): ou seja, nós temos a ideia de perfeição, isso quer dizer que esta existe.
- Causa da ideia de perfeição- se nenhum homem é perfeito, então como é que temos a ideia de perfeição? Foi Deus, claro!
- Causa da existência do homem- o homem existe, e tem a ideia de perfeição, porquê? Porque Deus o criou!
Portanto, era oficial, Deus existe mesmo! E, se existe, vai implicar a validade da razão (ideias inatas), ideias como a alma, Mundo, e o próprio Deus. É verdade, todos os homens (e mulheres talvez) têm estas ideias. Deus é, então, o garante dele próprio, da alma, e do Mundo.
Toda esta conversa já começava a agradar ao velho (que neste momento já quase se tinha levantado), constatando que não só aquilo que a sua razão lhe dizia era válido, mas também que não podia ter a certeza quanto aos seus sentidos. Boa! Agora ninguém poderia provar que ele era incontinente, para além de a sua cara parecer um ovo mal estrelado!
Descartes soltou uma gargalhada, fazendo dançar o seu bigode diabolicamente.
Ia já a caminho de casa (trauteando uma marcha do exército) quando, de repente, se lembrou: "Ah, é verdade, a Ciência é possível e válida, portanto pode coexistir com a Filosofia, e... bolas! Será que as fezes de cão que acabei de calcar são mesmo reais?"...
PM
(elaborado na véspera de um teste de filosofia)
(elaborado na véspera de um teste de filosofia)



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