sábado, 22 de Março de 2008

Os Totil Flamejantes

Tudo começou numa terça-feira, na última semana de aulas do 2º Período. O tempo estava bom, uma temperatura amena, com sol... Condições boas demais para esta altura do ano. Eu sabia que isto era um sinal dos deuses e que algo iria acontecer.
Estávamos já no fim da aula de Educação Física, quando ouço uma voz vinda dos confins do Universo: "Quem mais se quer inscrever no Peddy-paper?". Era o stôr. O meu primeiro pensamento foi: "Peddy-paper? Hehe... Quem será o tone que se quer inscrever nisto?". Ninguém se oferecia, mas o nosso professor era um dos organizadores, e não saiu dali enquanto não arranjou quatro pobres coitados para formar uma equipa. Um deles era, claro, eu! Era então a altura de escolher um nome. Como nem sequer nos passava pela cabeça levar isto a sério, acordamos que o nome seria "Os Totil Flamejantes", mais estúpido não há!...

Os dias passaram, e, no último dia de aulas, bem à tardinha, lá estávamos nós, prontos para ficar em últimos e gozar com a situação. Tendo em conta os nossos objectivos, estávamos a ser bem sucedidos: em primeiro lugar, quando já a maior parte estava na sala, como tinha sido combinado, nós ainda estávamos no recreio a jogar com uma bola de ténis, e ainda nos faltava um elemento, que estava atrasado, pelo que chegamos um pouco atrasados à sala, mas não em último (há sempre alguém que chega depois); para além disto, éramos a única equipa que não estava devidamente equipada "Se tivermos de nos equipar, já temos uma desculpa p'ra faltar", este era o nosso pensamento.
Começou então a explicação de cada uma das etapas do "Carolina Sem Fronteiras", sim, era esse o nome da competição; parabéns à turma que organizou este evento e que teve a ideia deste nome tão engraçado.
Quando o nosso stôr deu o sinal de partida, todos saíram a correr da sala, todos excepto nós, hehe... Ainda ficámos lá um bocado, para gozar um pouco, enquanto um professor nos filmava com a sua câmara toda catita.
Decidimos que iríamos fazer isto com toda a tranquilidade, um pouco à imagem do nosso amigo Paulo Bento, que, para além de ser sportinguista, é um bocado lento, coitadito...
Tivemos de realizar actividades relacionadas com Educação Física (sem ordem pré-definida) e responder a algumas perguntas. Para encontrar as actividades, que estavam espalhadas por toda a escola, cada equipa foi munida de um mapa.

A primeira actividade que realizámos foi a "Sobre Rodas". Eu devia ter desconfiado que a razão pela qual o nome não falava de patins era porque, simplesmente, aquilo não eram patins, mas pretendiam ser. Apesar disso, consegui não cair, mas não evitei fazer figura de parvo ao andar naquilo.
De seguida, fomos para uma etapa cujo objectivo era transportar bolas de ténis numa colher-de-pau, segurando-a com a boca, enquanto se percorria um circuito com obstáculos, e, no fim, pegar na bola e deitar algumas latas abaixo. Até foi giro, mas nenhum de nós conseguiu deitar uma lata abaixo.
Depois, tinhamos que acertar com uma bola de futebol e outra de andebol nuns buracos que haviam na baliza. Apenas um dos nossos elementos conseguiu tal proeza.
Depois disto, decidimos ir para a "Actividade Surpresa". O objectivo era cantar, num daqueles programas de karaoke para a PlayStation, mas mais tarde viria a descobrir que a surpresa era o facto de apenas um microfone funcionar. Isto revelou-se deveras engraçado, porque quatro pessoas a cantar num só microfone não é para qualquer um!
Posteriormente, fomos para a actividade que não me lembro o nome, mas que consistia numa corrida de carrinhos de compras: um a guiar e outro lá sentado. Tirando o pormenor que quase morria devido à má condução da minha colega, foi fixe até!
Na próxima etapa, fomos uns verdadeiros guerreiros lusitanos! Batemos um recorde! Era assim: haviam duas pranchas de madeira com sítios para pôr os pés, uma espécie de esquis para quatro, e tínhamos de dar uma voltinha com aquilo no menor tempo possível. Através da nossa coordenação e coragem, conseguimos uns fantásticos 34 segundos! Gostei!
Nós estávamos a gozar com a situação, mas, de facto, estava a ser divertido, apesar de os membros da turma organizadora que estavam em cada etapa se começarem a rir quando dizíamos que éramos os "Totil Flamejantes"... Já só faltavam duas etapas!
Fomos então para a escalada, "Sobe e Toca" era o nome. Isto porque o objectivo era subir e tocar num sininho que estava lá em cima. Apenas dois elementos podiam participar. Eu? Decidi prestar apoio moral.
Na última prova que realizámos, tínhamos que andar de andas, enfim, nada de especial...

Enquanto não estávamos a realizar nenhuma prova, íamos respondendo às questões. Era giro ver que, ao passo que nós andávamos nas calmas, os outros grupos andavam a correr, parecia mesmo que levavam aquilo a sério!
A hora marcada para a chegada à sala era às 16:30. Nós chegámos antes. Entregamos a nossa folha e esperamos cerca de 15 min. pela contagem dos pontos.
Entrámos todos na sala e sentámo-nos. O stôr ia chamando as equipas pela ordem decrescente da classificação. As nossas espectativas eram baixas, e começámos a ficar surpreendidos quando o nosso nome demorava a aparecer.
Bom, depois de muitas vezes dizermos "Eu não acredito...", sim, ficámos em primeiro lugar! Não dava mesmo para acreditar que nós, os Totil Flamejantes, que entrámos só para o gozo, tínhamos ganho!

Todos os participantes receberam uma mochila da Lipor. Os que ficaram em segundo lugar ganharam uma t-shirt, e os grandes vencedores uma Diciopédia X.
Mais importante que todos os prémios é, e para além do orgulho que foi, a lição que se tira desta história: quatro guerreiros que se glorificaram não pela força ou sangue, mas através da tranquilidade, inteligência e consciência de que não se deve levar as coisas demasiado a sério.

PM

sábado, 15 de Março de 2008

Racionalismo (Des)Cartesiano

]Pequena nota introdutória: este texto exprime de uma forma irónica e caricata o ponto de vista do autor, e não deve ser usado de maneira nenhuma como meio para o estudo da Filosofia![

René Descartes era um senhor que gostava muito de Matemática, até fez umas descobertazinhas, pelo que consta.
Certo dia, enquanto olhava para uns livros de Filosofia, e constatava que aquilo pouco tinha a ver com a Matemática, objectiva e universal, de que ele tanto gostava, ele disse para um velho que estava a seu lado: " Porque é que a Filosofia, e as questões que ela coloca, são tão subjectivas? Já sei! Vou aplicar a Matemática à Filosofia, de modo a obter respostas universais e claras às questões postas através dos séculos!". E, ignorando o facto de o velho ter ficado paralisado, e ter mesmo caído para o lado quando ele disse qualquer coisa como "deitar a casa abaixo", René meteu mãos à obra.
Começou então a duvidar de tudo, e ditou quatro regras:
- Regra da análise: separar tudo (até o velho da sua bengala [já não precisava dela, estava a salivar estendido no chão!] );
- Regra da síntese: voltar a reunir ("ok, velhinho, pega lá, não é que te valha de muito, não é?...")
- Regra da enumeração: fazer listas (mais ou menos como quando se vai às compras)
- Regra da evidência racional: nunca tomar como certo nada que não seja claro e distinto.

Mas como iria Descartes viver, pondo em causa tudo o que o rodeava e tudo o que lhe tinham ensinado?
Apesar de todas as suas duvidas, ele decidiu instaurar uma moral provisória, que era a forma como ele viveria até descobrir o que era mesmo real.
Descartes questionou-se sobretudo acerca da experiência/sentidos (será que o cheiro a urina que ele sentia não significava que o velho era incontinente?); dúvida da razão (será que os raciocínios eram mesmo de fiar?); dúvida do sono e vigília (o que é mais real? O que eu vivo durante o sono, ou o que vivo quando estou acordado? "Boa pergunta" - disse o velho, que já começava a gostar da ideia de poder andar normalmente, sem se urinar, como os seus sonhos o diziam).

No meio disto tudo, René conseguiu chegar a uma primeira certeza: "Cogito Ergo Sum" - disse ele, de uma maneira um pouco atrapalhada (razão pela qual o velho se começou a rir, desdentado e ignorante, urinando-se mais uma vez). Mas não, ele não tinha endoidecido, aquelas palavras significam "penso logo existo". Esta verdade é clara e inabalável, portanto servia a Descartes.
A partir daí, René utiliza esse critério de verdade, e chega à conclusão que existem três tipos de ideias: ideias inatas [advém da razão]; ideias adventícias (bonito nome) [da experiência]; ideias factícias [imaginação].

E, depois, tragédia (!), Descartes prova a existência de Deus através da razão, e não a partir de livros nada engraçados! E prova-o da seguinte maneira:
- Argumento ontológico- a perfeição implica a existência (mas perfeita, perfeita, só a SuperBock sem álcool... é que é perfeita!): ou seja, nós temos a ideia de perfeição, isso quer dizer que esta existe.
- Causa da ideia de perfeição- se nenhum homem é perfeito, então como é que temos a ideia de perfeição? Foi Deus, claro!
- Causa da existência do homem- o homem existe, e tem a ideia de perfeição, porquê? Porque Deus o criou!

Portanto, era oficial, Deus existe mesmo! E, se existe, vai implicar a validade da razão (ideias inatas), ideias como a alma, Mundo, e o próprio Deus. É verdade, todos os homens (e mulheres talvez) têm estas ideias. Deus é, então, o garante dele próprio, da alma, e do Mundo.
Toda esta conversa já começava a agradar ao velho (que neste momento já quase se tinha levantado), constatando que não só aquilo que a sua razão lhe dizia era válido, mas também que não podia ter a certeza quanto aos seus sentidos. Boa! Agora ninguém poderia provar que ele era incontinente, para além de a sua cara parecer um ovo mal estrelado!

Descartes soltou uma gargalhada, fazendo dançar o seu bigode diabolicamente.
Ia já a caminho de casa (trauteando uma marcha do exército) quando, de repente, se lembrou: "Ah, é verdade, a Ciência é possível e válida, portanto pode coexistir com a Filosofia, e... bolas! Será que as fezes de cão que acabei de calcar são mesmo reais?"...


PM
(elaborado na véspera de um teste de filosofia)

Contos de um Guerreiro...

Pois bem, decidi criar um Blog!
É verdade...

Não tenho grandes expectativas em relação a isto, simplesmente vou escrevendo alguns episódios da minha monótona vida...

Vão visitando, pode ser que isto até tenha alguma graça...

CHEERS
PM