sexta-feira, 22 de Maio de 2009

O "Carolina Open"...

 Certa vez, participei num torneio de ping-pong denominado ‘Carolina Open’, levado a cabo por uma turma de desporto do 10º ano. Recorrendo agora a uma analepse, digo que já me tinha inscrito uma semana antes deste evento. Isto porque, desde que um cartaz sobre o torneio teve o prazer de ser mirado pelos meus olhos, a felicidade, loucura, vontade de estrelar ovos e alguma surpresa apoderaram-se de mim. A loucura já estava dentro de mim (assim como tudo o resto), mas sobressaiu quando, num primeiro relance observei o nome ‘Carolina Open’ seguido de uma imagem de uma raquete de ping-pong. Foi então que percebi que era uma espécie de ‘Estoril Open’, mas com poucas semelhanças, visto que até o desporto praticado nos dois torneios é (ligeiramente) diferente.

 Incorrecções à parte, uma semana mais tarde acabei por estar presente neste evento. Da minha turma, só eu e um colega meu participamos, mas, como iremos ver a seguir, este torneio prometia o conhecimento de gente engraçada e peculiar, cada um à sua maneira…

 Quando chegamos ao pavilhão vimos imensas pessoas, e até ficamos ligeiramente assustados (iriam todos jogar ping-pong?), mas depois ficamos a saber que anteriormente iria decorrer uma qualquer sessão de body-combat (iria, porque afinal não decorreu; para frustração daqueles jovens, e para minha indiferença). Depois de nos equiparmos convenientemente e confirmarmos a nossa entrada junto da organização, todos os participantes, que afinal até eram alguns (trinta e quatro, se não me engano), se juntaram para ouvir o professor responsável que, entre umas piadas (umas boas, outras nem por isso), lá explicou as regras gerais. Depois decorreu o sorteio, que ditava quem jogava contra quem no primeiro jogo. As regras estavam feitas de tal forma que todos podiam perder no primeiro jogo, passo a explicar: neste primeiro encontro, quem ganhasse fazia parte do quadro A; quem perdesse, ia para o quadro B. Depois o resto do torneio era realizado como dois torneios distintos (um entre os do quadro A, e outro entre os do quadro B), nos quais quem perdesse era agora eliminado. No final seria realizada uma espécie de finalíssima, entre o vencedor do quadro A e o vencedor do quadro B. Se quiserem saber mais aspectos técnicos, estivessem presentes (hihihi)!

 Sobre os jogos em si não vou falar muito, porque, caso o fizesse, teria de falar sobre os meus adversários, e não quero de maneira nenhuma ofender quem quer que seja, não havendo sequer razões para tal. Não vou falar muito, mas vou falar um pouco. Quando o destino ditou que o meu primeiro jogo seria contra uma rapariga, senti-me um pouco sortudo, porque seriam poucas (senão só uma) as raparigas que participavam neste evento. Pois bem, se antes do jogo estava contente, depois do jogo ainda fiquei mais. Não, não ganhei. Sim, perdi no primeiro jogo. Mas não, estava longe de estar triste. Claro que nunca me agrada perder, mas fiquei com aquela sensação de que fiz parte de um bom jogo (equilibrado, de uma maneira geral), e o melhor ganhou! Este primeiro jogo ficará para sempre na minha memória, seguramente também por causa da minha adversária, muito simpática e boa jogadora (de facto, com um estilo de jogo parecido com o meu, devo dizê-lo). O segundo e terceiro jogos decorreram sem grandes incidentes, com duas vitórias da minha parte, que me colocavam agora nas meias-finais. Nesse quarto jogo, tive mais uma vez aquela sensação, e mais uma vez perdi, mas reconheço que o meu adversário foi superior, e passei a torcer por ele.

   Durante todo o torneio (todo o torneio), eram frequentes os vários episódios de divertimento da minha parte: jovens chatos (um era de leste) a perguntar quando é que jogavam, e se podiam jogar agora, sempre de um lado para o outro; passagens de objectos da varanda da assistência cá para baixo, e vice-versa, recorrendo a números de equilibrismo que no circo teriam grandes aplausos; outros a passear um preservativo cheio de ar, como se fosse um balão, todos contentes; uns a atirar bolas de papel à cabeça de outros (acho que eram os mesmos do equilibrismo); ser interpelado por participantes, perguntando se eu era um tal de não-sei-das-quantas; houve até um que, tendo sido eliminado, antes de sair me cumprimentou, dizendo qualquer coisa como: “Parabéns, ganhaste!” (aquilo deixou-me feliz, mas, tendo em conta que a única vez que ele me tinha observado a jogar fora quando eu perdi pela primeira vez, fiquei a duvidar um pouco do estado mental do jovem…); entre outras façanhas…

   E, como quem corre por gosto não cansa, nem dá pelo tempo a passar, estávamos quase no final desta competição. Veio então a parte de que todos parecem ter gostado mais: o ‘lanchinho’… Pelo que percebi, o lanche foi uma ideia da organização que contou com a colaboração de várias pessoas envolvidas. Uma ideia que se concretizou deliciosamente. Devo dar os parabéns, porque estava muito bom (não fossem os habituais esfomeados que devoram logo as melhores partes enquanto o diabo se prepara para esfregar um olho). Enquanto comíamos, assistíamos à tal finalíssima (os poucos que preferiam ver o jogo a andar de volta da mesa).

   No final, não ganhou o rapaz que me derrotou, e que eu queria que ganhasse, mas, enfim, só me resta dar os parabéns a toda a gente, gostei!

E lá fui eu para casa, com o sol ainda alto, olhando o horizonte, sistematicamente maravilhado com a beleza dos céus (como já é habitual), não derrotado, mas sim vitorioso, porque foi um daqueles eventos em que vale a pena participar…


PM