sábado, 6 de Junho de 2009

'Sou eu'...

(ding dong…)

‘-Quem é?’

‘-Sou eu…’

(pééééé….)
(tchc… pum…)

   Uma coisa que sempre me fascinou foi este tipo de diálogo que se estabelece entre o dono do apartamento e o visitante…
   Mesmo estando o morador à espera de visitas, não devia abrir a porta a alguém que diz ‘Sou eu’. Pode ser algum larápio mal intencionado que, tal como eu, chegou à conclusão que é extremamente fácil conseguir que nos abram a porta… Não, nunca experimentei isso, mas pergunto-me se resulta mesmo…
   Será que o morador faz isso porque identifica a voz de quem está do outro lado? Hmmm, parece-me um pouco difícil… Claro que há sempre aqueles que têm vídeo-porteiro. Em relação a esses, já deve ser mais difícil enganar, mas podemos sempre dizer ‘Sou eu’, e a pessoa, não reconhecendo o indivíduo, mas ficando na dúvida se é algum primo ou tio daqueles que nunca vimos, concede a passagem na mesma… 
   Mas há sempre aqueles que perguntam ‘Eu quem?’. ‘Epa, agora é que me tramaste… deixa cá ver… Ah! Então? Já não me reconheces? Sou eu, a tua avó Ernestina que perdeu ambas as pernas no carrossel do Senhor de Matosinhos!’… ‘Ah! Já podias ter dito! Entra, entra…’. Surpreendido, o ladrão entra, mas só depois, quando se encontra mesmo em frente ao morador, é que descobre que este, para além de zarolho, tem miopia de grau 10 e usa suspensórios que lhe elevam as calças até ao pescoço! Assim não admira, aliás, até nem tem tanta piada assaltar pessoas assim.
   Mas será tudo isto verdade? Ou existe alguma espécie de telepatia entre o visitante e o morador, fazendo com que este só abra a porta quando pressente realmente quem está do outro lado? Nunca ninguém saberá… Para além do mistério de como a esfinge perdeu o nariz, este é um dos enigmas mais obscuros deste mundo…
   Por isso, a partir de agora, sempre que tocarem à vossa campainha e vocês perguntarem ‘Quem é?’, quem sabe se não posso ‘Ser eu’…

PM